VOCÊ ESCUTA SEU CORPO?

Atualizado: 31 de jul. de 2019
Aprendendo com a linguagem não-verbal a ouvir as notícias que o seu corpo conta.
Escrito por Thais Alves.

Você já notou que a maioria de nós vem tendo dificuldade para ficar confortável com o corpo? Tensões, dores musculares, cansaço físico e insônia são queixas frequentes. Parece que o corpo perdeu a sua condição natural de se manter sadio e em equilíbrio.
Pense numa grande empresa. Se cada setor funcionar isoladamente, sem conhecer as necessidades dos demais, provavelmente haverá decisões antagônicas, gerando sobrecarga para alguns e desperdícios em outros, podendo chegar até a uma paralisação parcial.
Muito semelhante ao nosso corpo. Temos vários departamentos, como a cabeça, o tórax e a bacia, que têm andado sem comunicação entre eles.
Sabe aquele dia que você acorda se sentindo mais quente, com vontade de ir dançar ou vestir uma roupa especial? A bacia está contando qual é o pedido, mas a cabeça às vezes duvida, ou ainda desconsidera a própria percepção – hoje o dia vai ser corrido, deixa para lá. E nesse conflito o tórax não sabe o que fazer e resolve a questão induzindo você a comer em excesso, ficando no processo da ansiedade e da gula, quando a prontidão primeira era só expressar a sensualidade.
Integrando as partes
Como muitas vezes agimos e reagimos de maneira condicionada e automática, precisamos de novas ferramentas para quebrar este padrão, e assim podermos ouvir as notícias do corpo.
Segundo Jean-Yves Leloup, filósofo francês, existe em nós uma memória essencial, guardada em nosso corpo e que sabe tudo sobre a nossa verdade. Através da linguagem não-verbal podemos acessar essa memória, trazendo à tona nossas necessidades reais e também nossas habilidades.
Dentro desta perspectiva, atividades artísticas e corporais passam a ser de extrema importância. Para tanto, é preciso que o movimento corporal e a criação artística sejam mais espontâneos, nasçam do nosso mundo interno, busquem padrões estéticos ou técnicos não rígidos, e instiguem nossa intrínseca capacidade criativa. Pintura, confecção de mandalas e dançaterapia são exemplos de práticas nutridoras da conexão corpo-mente, contribuindo para que os departamentos do nosso corpo comecem a emitir uma mensagem única e genuína, alimentando ainda mais a nossa força vital.
Como enfatiza Alexander Lowen, médico e terapeuta corporal, a mente pode influenciar o corpo tanto quanto o corpo afeta a mente. Segundo ele, trabalhar diretamente nas funções corporais, como a respiração, a movimentação, a percepção sensorial e a auto-expressão surtem efeitos imediatos e mais duradouros sobre a atitude mental. Na prática, podem significar mais conforto e liberdade para a mente e para o corpo. E mais vitalidade também.
Que tal abrir espaço para atividades que ampliem a percepção corporal e a escuta interna? Manter contato permanente com o corpo e atender aos seus chamados podem ser uma importante chave para a saúde integral.
Leloup, Jean-Yves. O corpo e seus símbolos - uma antropologia essencial. 20ª Ed. São Paulo: Ed. Vozes, 2012.
Lowen, Alexander. Bioenergética. 11ª Ed. São Paulo: Ed. Summus, 1982.
*texto revisitado para a Todos os Cantos, inicialmente publicado no blog Alérgica e Produzida.

Thais Alves
Educadora Corporal.
Educadora Física pela Universidade de São Paulo.
Pós-Graduação em Psicologia Transpessoal(ALUBRAT-SP);
Especialização em Biopsicologia -Instituto Visão Futuro;
Especialização em Reeducação do Movimento pelo
Instituto Ivaldo Bertazzo;
Dançaterapeuta pelo Centro Internacional de Dançaterapia Maria Fux.
Formação em Eneagrama - IESH;
Facilitadora credenciada da Unipaz-SP.




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