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Viagens e a Espiritualidade

Foto do escritor: Todos os Cantos
Todos os Cantos
25 de fev. de 2021
2 min de leitura

Texto por Helena Heloísa Wanderley


Quando começo a me sentir inquieta, quando a rotina já não me atrai, quando percebo estar me desconectando da alma, com uma vaga sensação de estar desenraizada, sei que é chegada a hora de partir. E lá vou eu!


Gosto de viajar em grupo; sinto-me mais segura; procuro grupos afins, estudo os roteiros propostos e uma vez decidida, coloco minha roupagem de Poliana e esqueço o lado crítico em casa. Estou munida de dólares e de uma ferrenha vontade de aproveitar cada minuto de beleza, de entretenimento e riso, sabendo com plena certeza que algum contratempo sempre acontece, porém, sabendo também que existe sempre um remédio para cada mal.


O que nunca espero, e frequentemente acontece, é o número de sincronicidades, verdadeiras epifanias que me tomam de surpresa e invadem meu ser durante um tempo que transcende a viagem como aqui compartilho.


A primeira lembrança que me ocorre deu-se em Londres, minha cidade favorita por inúmeros motivos que podem ser assunto de uma outra crônica. Estava eu na swinging London, exausta e exultante, tendo passado por Covent Garden onde me deliciara com várias bandas que se alternavam em ritmo e beats, feito uma incursão na Penguin onde um imenso volume, lindo nas ilustrações, uma verdadeira enciclopédia de Mitologia piscou para mim e sucumbi ao seu fascínio. Saí dali com todo o peso da mitologia mundial, mais uns dois vidros de perfume e mais a parafernália de costume que infesta a bolsa de uma mulher, andei até a Westminster Abbey e no escurinho benfazejo, dormitei – eufemismo – dormi mesmo. Sonho que estou adentrando o Paraíso e que ouvia o coro dos Anjos. Mas, a música era muito real, audível, e eu... não pode ser sonho, eu morri mesmo e estou no Céu. Naquele estado diáfano, naquela claridade de cristal, abro os olhos e me deparo extasiada com o internacionalmente famoso Coral dos Meninos Cantores. Todas as vezes que me relembro disso, entro na sensação do Êxtase.


Uma vez, do outro lado do mundo, precisamente no nosso antípoda Japão, visitando um mosteiro Zen, o monge nos conduziu a um legítimo jardim japonês. Carpas multicoloridas bailavam em águas límpidas a dança arredondada do arco-íris; a vegetação ao redor, cuidadosamente arrumada em Ikebana, nos três níveis de altura simbolizavam o Céu, a Natureza e o Homem. Cenário ideal para uma meditação que ele conduziu. Para tal, nos espalhou ao redor do laguinho, sentados em pedras lisas e tépidas, tendo à frente uma queda d’água que rumorejava uma canção cristalina. O magnetismo do local era de tal magnitude que, sem me dar conta, virei água e gorgolejava caindo pedra abaixo. Acordei com o ruído dos companheiros levantando-se para ir embora.


E sei, com toda a convicção, que esses fenômenos transcendentes só acontecem porque em viagem, abrimos novos portais.



Autora: Helena Heloísa Wanderley é viajante,Psicologa Clínica, Especializada em Psicodrama, Membro do Colégio Internacional dos Terapeutas, Amante da Psicologia Analítica de Jung, Facilitadora credenciada pela Inner Links do Jogo da Transformação, Estudiosa da Teoria Integral de Ken Wilber, Membro da Unipaz São Paulo e uma aprendiz da vida.


 
 
 

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