O QUE NÃO ESQUECER EM SUA VIAGEM

O pior dos problemas da gente
é que ninguém tem nada com isso.
(Mario Quintana)

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Vulcões com nuvens - Salar do Atacama/Chile –– Nikkon D7000 – 80 mm - ISO 800 – 1/160 – f8
Você já esqueceu alguma coisa importante na vida? Esquecer é coisa comum, mas muito desagradável. Vou contar um “causo” que aconteceu comigo.
Foi numa viagem ao Chile. Pensava estar levando duas lentes fotográficas na bagagem. Uma teleobjetiva e uma grande angular. Quando cheguei ao destino e saquei a câmera, um calafrio percorreu minha espinha. Tinha deixado em casa a lente mais adequada e em seu lugar tinha trazido outra lente, parecida na forma, mas totalmente diferente no uso. Fiquei mal.
Aí me lembrei do livro “O barco vazio” do Osho, onde ele fala da necessidade de se diminuir a importância do “ego” em nós e da necessidade de se ver a vida de uma forma mais simples, deixando o “eu” prepotente e exigente de lado.
Isso me fez bem, pois logo vi que não devia dar tanta importância a mim mesmo e aos erros que comumente cometo. Vi também que precisava tomar algumas decisões de ordem pessoal.

Chile mula blog ll 2015
“Mujer en la mula com su perro”- Toconao-Chile - Nikkon D7000 – 300 mm - ISO 400 –– 1/500 – f8)
A primeira coisa a fazer era não tentar “livrar minha cara”, procurando encontrar um culpado pelo meu esquecimento. Não, eu não ia procurar culpados para meu erro. O fato de eu ter trocado uma lente por outra, era de minha inteira responsabilidade.
A segunda coisa a ser feita era “me virar com o que eu tinha”: uma lente para longe e outra lente para perto. A falta do equipamento fotográfico ideal “liberou geral”. Agora eu precisava me virar com o que tinha e isso, de certa forma, me livrava da “mania de perfeição”.
Por fim, resolvi fazer uma última coisa. Não queria continuar a viagem “lamentando o leite derramado”. Nesse momento, me propus a não mais tocar no assunto. Principalmente com quem estava ao meu lado. A partir desse momento, deixei de lado as lamúrias e os arrependimentos. Com isso, me senti mais leve e muito menos chato.

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Ave do Bico Torto - Salar do Atacama/Chile – (Nikkon D7000 400mm – ISO 800 1/640 – f8)
Não vou dizer que não senti falta da lente “esquecida”. Mas posso dizer que não deixei minha viagem se estragar por isso. Se não fotografei tudo que queria ter fotografado, trago comigo uma experiência pessoal valiosa.
Aprendi sobre a difícil arte de respeitar a si mesmo. Aprendi a não ficar procurando culpados para minhas falhas; não ficar reclamando do que se tem ou se deixa de ter; não se obrigar a levar na mochila as “pesadas pedras da perfeição”; e principalmente, não deixar que meus problemas contaminem os que perto de mim estão.
Por fim percebi que numa viagem é melhor você “esquecer” o ego em casa. Ele dá excesso de bagagem! E em seu lugar botar na mala um pouquinho mais de humildade e bom humor.

João Allievi - Advogado e Consultor na área do Direito Ambiental e turismo sustentável; docente dos cursos de pós-graduação do SENAC/SP (2009), empresário com 26 anos de experiência em Ecoturismo; coautor do livro “Cavernas Brasileiras” (1980),
ex-presidente da Sociedade Brasileira de Espeleologia e do Instituto de Ecoturismo do Brasil; espeleólogo, fotógrafo, guia de montanha e caverna.




Grande João, está vendo aí, vale descomplicar, e pelas belas fotos como sempre você faz, a lente não fez falta..
Show
Adorei um texto
Perdi uma câmera uma vez com muitas fotos de viagem
Minha e da minha filha
Ela quase surtou
Ficou muito chatiada
Eu nem tanto
Do pedi a Deus q as lembranças das sensações de temperatura cheiro e imagens por onde passei ficassem por muito tempo na minha memória
Gratidão por ter vivido
Lindo texto e sorte pela experiência de desapegar
Gde abço
Belo texto, bom pra refletir de como complicamos nossa vida por poucas coisas